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Compostos extraídos do bagaço da uva reduzem processo inflamatório | 02 Março 2017

Cerca de 40% dos compostos fenólicos da uva são desprezados durante o processo de produção de vinho no Brasil. Benéficos ao organismo humano, tais compostos são descartados junto com o bagaço da fruta. Com a aplicação de uma enzima produzida em laboratório, a pesquisadora da Unicamp Isabela Mateus Martins extraiu do subproduto da indústria de sucos e vinhos maiores quantidades de fenólicos.O estudo conduzido por ela junto à Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) demonstrou ainda que os fenólicos extraídos apresentaram eficácia na redução do processo inflamatório de células intestinais (CACO-2). Os biomarcadores de inflamação reduzidos foram a prostaglandina E2 (PGE2), a interleucina 8 (IL-8) e o fator de transcrição kappa B (NF-κB).

A pesquisadora Isabela Mateus Martins, autora do estudo: tratamento enzimático eleva atividade anti-inflamatória dos compostos presentes no subproduto

A autora da pesquisa explica que processos inflamatórios prolongados no organismo podem causar disfunções fisiológicas e levar ao aparecimento de diabetes, hipertensão, obesidade, câncer e doenças inflamatórias intestinais, como a colite ulcerativa e a Doença de Crohn. “Após o tratamento com a enzima tanase em células intestinais tivemos um aumento de aproximadamente 25% na atividade anti-inflamatória do extrato obtido a partir do bagaço da uva”, revela.

Houve ainda, com o tratamento enzimático, aumento da atividade antioxidante e da quantidade de compostos fenólicos, que previnem e retardam a formação de radicais livres no organismo. A pesquisadora relata incremento de 51% na concentração de fenóis totais em comparação com a amostra sem o tratamento. “Pudemos também constatar um aumento de compostos fenólicos menores e mais simples, em especial ácido gálico, quercetina etransresveratrol”, acrescenta.

Potencial subaproveitadoA autora do estudo explica que o bagaço da uva, especialmente a tinta, é rico em compostos fenólicos bioativos. “Mas este resíduo acaba indo para o lixo ou sendo subaproveitado como adubo do solo ou incorporado em ração para animais. Nosso trabalho demonstra o potencial do bagaço que poderia ser transformado e empregado, por exemplo, na fabricação de alimentos funcionais, de suplementos e produtos para a indústria farmacêutica”, sugere.

Conforme dados coletados por Isabela Martins em seu estudo, a produção mundial de vinho e suco gera, anualmente, cerca de 13 milhões de toneladas de resíduos. No Brasil, a estimativa é que sejam gerados em torno de 150 mil toneladas por ano de bagaço de uva.

A pesquisa desenvolvida por ela integrou doutorado defendido junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos da FEA. Uma parte dos trabalhos foi conduzida no Antioxidants Research Laboratory, pertencente à Tufts University, localizada na cidade de Boston, nos Estados Unidos. Na Unicamp, a professora Gabriela Alves Macedo, do Departamento de Alimentos e Nutrição da FEA, orientou a pesquisa.O intercâmbio da cientista da Unicamp foi financiado pelo Programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal. Houve ainda apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Uva tinta e tanaseO resíduo da uva tratado com a enzima tanase apresentou os maiores valores de compostos fenólicos bioativos quando comparado com o extrato sem o tratamento enzimático. Na comparação, o bagaço da uva tinta também indicou melhores resultados que o da branca. “Os dois extratos tiveram seu potencial antioxidante elevado após os tratamentos enzimáticos, mas o da uva tinta que recebeu o tratamento com a tanase apresentou aumento mais significativo”, compara.

A autora do estudo esclarece que apenas o extrato da uva tinta, antes e após o tratamento com a tanase, foi submetido aos testes de atividade anti-inflamatória em células intestinais. “O objetivo era escolher o extrato com o maior valor de compostos fenólicos para, então, testá-lo em células intestinais. Por este motivo só empregamos o da uva tinta.”

A pesquisadora utilizou ainda outras duas enzimas para promover a extração dos compostos fenólicos biativos: a celulase e a pectinase. De acordo com ela, ao contrário da tanase, são enzimas bastante utilizadas pela indústria. “A tanase também se mostrou melhor nesta comparação.”

Fonte: Unicamp

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